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“CELSO DANIEL” É A “ESCOLA BASE” II
Paulo Henrique Amorim
A doutora Elizabeth Sato é uma das mais respeitadas policiais de São Paulo. Ela é a delegada titular do 78º Distrito Policial (nos Jardins) e acaba de concluir o segundo inquérito sobre a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Segundo inquérito, repita-se.
A noticia saiu hoje numa pagina interna do primeiro caderno do Estadao, sem chamada na primeira pagina (clique aqui para ler).
Tanto quanto no primeiro, no segundo inquérito a Dra. Sato concluiu que a morte de Celso Daniel não foi um “crime político”. Repita-se: não foi um “crime político”.
A Dra. Sato concluiu que os argumentos dos irmãos de Celso Daniel e dos promotores de Santo André não tinham fundamento.
Eles é que exigiram (com a ajuda da imprensa) um segundo inquérito.
A Dra. Sato concluiu que o primeiro inquérito estava certo.
Logo, o segundo foi perda de tempo e de dinheiro.
O primeiro inquérito se concluiu na gestão de Geraldo Alckmin, do PSDB.
O segundo se concluiu agora, na gestão de Cláudio Lembo, do PFL.
A cobertura da imprensa sobre a morte de Celso Daniel, porém, sempre teve a dimensão de um “crime político”.
A imprensa exumou a reputação de Celso Daniel e pisou nela.
A única exceção de que me lembro foi o jornalista Percival de Souza, que, na TV Record, sempre disse ter motivos para acreditar na versão da polícia de São Paulo.
Lembro-me que, a certa altura, procurei o deputado (PT-SP) Luiz Eduardo Greenhalgh para ouvir sua versão.
O presidente Lula tinha pedido a Greenhalgh para acompanhar o inquérito, em nome do PT.
Greenhalgh me disse que acreditava na versão da polícia.
Percival e Greenhalgh eram um grão de areia num mar de lama.
A cobertura do “caso Celso Daniel” é uma “Escola Base”.
E se olharmos com a sabedoria do espelho retrovisor, se verá que a “Escola Base” II foi a primeira tentativa de golpe da imprensa contra o Governo Lula.
Que acabou por se consumar – com a ajuda do delegado Bruno (por onde andará o delegado Bruno?) – com a convocação do segundo turno.
Veja, abaixo, o levantamento que o meu colega Givanildo Menezes fez, hoje, sobre a cobertura do “crime político” conhecido como “Caso Celso Daniel”, que aparecia nos telejornais do horário nobre com a freqüência da “previsão do tempo”.
COMPORTAMENTO DA MÍDIA NO CASO CELSO DANIEL
Givanildo Menezes
A cobertura da imprensa sempre acreditou na hipótese de crime político no caso Celso Daniel.
O prefeito de Santo André foi seqüestrado no dia 18 de janeiro de 2002 e o corpo dele foi encontrado dois dias depois – no dia 20 de janeiro de 2002, portanto – em uma estrada em Juquitiba (78 km de São Paulo).
Antes mesmo de a polícia encontrar o corpo de Celso Daniel, a Folha de S. Paulo, publicou na edição do dia 19 de janeiro de 2002, que a primeira opção para o seqüestro era o crime político (clique aqui).
Dois dias depois da confirmação da morte de Celso Daniel, em 22 de janeiro de 2005, a Folha publicou um artigo da então editora-executiva do jornal, Eleonora de Lucena, com o título: “Assassinato do Estado”. No texto Eleonora disse: “A hipótese de crime político apavora. Faz lembrar os anos de chumbo e seria um golpe na democracia. Há intrigantes e preocupantes indícios nesse sentido” (clique aqui).
O empresário Sérgio Gomes, o Sombra, chegou a ser apontado e preso como mandante do assassinato de Celso Daniel, conforme noticiou o Jornal das Dez, da Globo News, no dia 11 de dezembro de 2003 (clique aqui).
Já o Fantástico veiculou na edição do dia 28 de agosto de 2005 que os promotores que trabalhavam no caso estavam convencidos de que o assassinato de Celso Daniel foi crime político. O vídeo foi retirado da internet (clique aqui).
Em 25 de novembro de 2005, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma reportagem com a seguinte manchete: “Polícia começa a acreditar em crime político no caso Santo André”. A matéria, que teve mais de 2,5 mil toques, usou declarações de uma fonte da Polícia Civil “que não quis se identificar” para sustentar a tese de que a polícia acreditava num crime político (clique aqui).
Quatro anos depois da morte de Celso Daniel, o jornal O Estado de S. Paulo, na edição de 03 de maio de 2006, insistia na hipótese de crime político (clique aqui).
Um vídeo do YouTube mostra uma matéria de um telejornal (não é possível identificar o nome do telejornal nem a emissora) que apresenta uma reportagem que mostra “documentos que põem em dúvida a versão da polícia de que o assassinato de Celso Daniel foi um crime comum” (clique aqui). Também não é possível saber a data em que a matéria foi ao ar.

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